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foto: Internet
Fé religiosa: inata e benéfica para a saúde?
Artigo do Especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise

A tendência do ser humano a crer numa divindade ou ordem sobrenatural é inata ou aprendida? Existiria algo como um “gene de Deus”, responsável por essa tendência? A fé traz benefícios para a saúde dos indivíduos? Questões como estas têm ocupado o primeiro plano nas pesquisas de cientistas das mais diversas áreas em nossos dias. E as conclusões às quais eles têm chegado apontam para o fato de que, para a ciência, não só a fé parece estar “programada” em nosso cérebro, como também teria benefícios reais para a saúde.

Existe uma predisposição biológica para a fé religiosa?

Uma das conclusões mais polêmicas em torno do assunto foi feita pelo cientista americano Dean Hamer, que em 2004 divulgou ter descoberto um gene ligado à fé. Batizado wmat2, Hamer afirma, em seu livro O gene de Deus, que este seria responsável pelo transporte de mensageiros cerebrais - entre eles a serotonina - além de gerar o pensamento religioso.

Esse tipo de explicação simplista do fenômeno religioso, contudo, tende a ser rechaçada pela comunidade científica. Um dos nomes envolvidos em pesquisas recentes na área é Jordan Grafman, chefe do departamento de neurociência cognitiva do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame (EUA). Autor de uma das pesquisas mais recentes acerca da relação entre a fé e nossa estrutura cerebral – cujos resultados foram publicados na edição de março deste ano da Proceedings of the National Academy of Sciences sob o título “Cognitive and neural foundations of religious belief” (“Fundamentos cognitivos e neurológicos da crença religiosa”) -, Grafman concluiu que a capacidade de crer em um ser ou ordem superior teria surgido ao mesmo tempo que as aptidões que tornaram possível a vida em sociedade.

Em seu estudo, Grafman analisou o cérebro de 40 pessoas, religiosas e não religiosas, enquanto liam frases que confirmavam ou confrontavam a crença em Deus. Usando imagens de ressonância magnética funcional – que mede a oxigenação do cérebro –, o neurocientista descobriu que as partes ativadas durante a leitura de frases relacionadas à fé eram quase as mesmas usadas para entender as emoções e as intenções de outras pessoas. Isso quer dizer, segundo Grafman, que a capacidade de crer em um ser ou ordem superior possivelmente surgiu ao mesmo tempo que a habilidade de prever o comportamento de outra pessoa – fundamental para a sobrevivência da espécie e a formação da sociedade. E para estabelecer relações de causa e efeito. A interferência de um ser muito poderoso seria uma explicação eficiente para aplacar a necessidade de entender o que não se consegue explicar com o conhecimento comum.

Para o neurocientista, o pensamento religioso nasceu junto com o cérebro humano. “Somos predispostos biologicamente a ter crenças, entre elas a religiosa”, diz Grafman. Há, em toda forma de pensamento, um sistema de crenças que o fundamenta, sistema esse que guia até mesmo o comportamento social. Para ele, a crença religiosa seria o primeiro sistema de crenças a ter surgido. Forma primitiva de crença, por se fundamentar no desconhecido, suas regras teriam adquirido sentido ao organizar a vida em sociedade.

Para Justin Barrett, antropólogo e professor da Universidade de Oxford, autor do livro Why would anyone believe in God? (Por que alguém acreditaria em Deus?), a crença religiosa é um efeito colateral da maneira como nossa mente é organizada naturalmente. Para ele, há evidências de que os sistemas religiosos ajudam a manter comunidades unidas – a dividir, a confiar, a construir redes sociais mais fortes. Barrett afirma que a mente das crianças é um exemplo de como a fé se manifesta precocemente. Em certa experiência, pesquisadores mostraram uma caixa de biscoitos às crianças e perguntaram a elas o que havia dentro. Como não são bobas, as crianças responderam: “Biscoitos”. Ao abrir a caixa, o que encontravam eram pedras. Então, os cientistas perguntaram às mesmas crianças o que suas mães achariam que havia dentro da lata e o que Deus diria se visse a lata. As crianças de 3 anos disseram que as mães, assim como Deus, diriam que havia pedras. A partir dos 5 anos, elas responderam que a mãe diria “biscoitos”, mas que Deus responderia “pedras”.

A fé faz bem à saúde?

Segundo Andrew Newberg, neurocientista da Universidade da Pensilvânia e coordenador de outro importante estudo sobre o poder da meditação e da oração, tais práticas ajudam a melhorar a relação da pessoa consigo mesmo e com os outros, podendo até mesmo alterar a química cerebral.

O autor de How God changes your brain (“Como Deus muda seu cérebro) estuda as manifestações cerebrais da fé há pelo menos 15 anos, e descobriu que as práticas religiosas acionam, entre outras regiões do cérebro, os lobos frontais, responsáveis pela capacidade de concentração, e os parietais, que nos dão a consciência de nós mesmos e do mundo. Ainda estão sendo feitos estudos para compreender melhor a meditação e a prece, mas a pesquisa de Newberg mostra que, durante essas atividades, o lobo frontal fica mais ativo, e o lobo parietal menos. Como essa parte do cérebro é responsável pela noção de tempo e espaço, “desligá-la” geraria a sensação de imersão no mundo e a de ausência de passado e futuro muitas vezes relatadas por religiosos. A maior atividade do lobo frontal, além de melhorar a memória, também estaria ligada à diminuição da ansiedade. O neurocientista especula também se essas práticas alterariam a química cerebral, como os níveis de serotonina e dopamina, que regulam nosso humor, nossa memória e o funcionamento geral de nosso corpo. Nisso, afirma ele, não há diferença de efeito entre as crenças religiosas, mas sim entre as práticas que levam à maior ou menor introspecção.

Já Michael Inzlicht, professor de psicologia da Universidade de Toronto (Canadá), afirma que quem crê em Deus tende a lidar melhor com os erros. Inzlicht pediu a pessoas de várias orientações religiosas e também àquelas que não creem em Deus que dissessem os nomes das cores que apareciam a sua frente. Quando elas cometiam um erro, uma área do cérebro chamada “córtex cingulado anterior” era ativada. “Quanto mais forte a religiosidade e a crença em Deus dos participantes, menor era a resposta dessa região ao erro”, diz Inzlicht. Isso seria uma evidência de que as pessoas religiosas ficam mais calmas diante de um erro. “Suspeitamos que a crença religiosa protege contra a ansiedade porque dá um sentido para as pessoas”, afirma ele.

A influência da crença em Deus na redução do estresse já é quase um consenso entre os médicos. Segundo Marcelo Saad, médico do hospital Albert Einstein, de São Paulo, doenças relacionadas ao estresse, especialmente as cardiovasculares (hipertensão, infarto do miocárdio e derrame), parecem ser menos freqüentes entre aqueles que adotam uma prática religiosa. Além disso, pesquisas mostram que participar de um grupo religioso estruturado traz benefícios por aumentar o suporte social à pessoa. “Esse apoio social é algo extremamente valioso para a saúde física, inclusive para a sobrevivência e a longevidade”, diz o psicólogo americano Michael McCullough, professor da Universidade de Miami. Ao combinar os resultados de 42 pesquisas diferentes, o psicólogo descobriu que as pessoas altamente religiosas tinham 29% a mais de chance de estar vivas, em determinado momento do futuro, que as demais. A religiosidade tornaria mais fácil resistir a tentações nocivas à saúde, como o álcool e o fumo. “Para pessoas que acreditam na vida após a morte, pode ser uma decisão racional postergar os prazeres de curto prazo em nome da recompensa eterna”, afirma McCullough.

Fé religiosa e empatia social

Encontrar os fundamentos neurológicos para o fenômeno religioso tornou-se um dos projetos da moderna neurociência desde que Charles Darwin – patrono do modelo adaptativo em voga nas ciências biológicas – teria afirmado, no século 19, a sua universalidade.

Trata-se, porém, de um projeto que tem como seu fundamento, em última análise, a idéia de que é possível encontrar, nos dados “brutos” da matéria (o corpo orgânico em geral, e sistema nervoso, em particular), um funcionamento regular observável e passível de experimentação. Nesse sentido, tal projeto é muito promissor. As neurociências já demonstraram sua eficácia no diagnóstico e no tratamento de diversas patologias mentais – como a depressão, por exemplo.

Contudo, um limite para a compreensão dos fatos observáveis permanece sempre à frente das descobertas científicas. No caso das relações entre a crença religiosa e seu substrato neuronal, à parte dos componentes “sociais” da teoria (aqueles que dizem respeito à empatia), esse limite pode ser traduzido nos seguintes termos: que um sistema de crenças guia nosso comportamento social, e que existem diferenças entre pessoas religiosas e não religiosas parece já ser um consenso; mas o(a) religioso(a) já nasceu com características que predispõe à religião, ou tais características (incluindo-se aí as alterações da química cerebral) foram moldadas nele por meio da prática religiosa?

Vale, em todo caso, o alerta de Thomas Kuhn, importante filósofo da ciência do século passado: em tempos de ciência “normal”, as descobertas científicas são moldadas dentro de certos paradigmas que lhes conferem legitimidade. Nesse sentido, afirma o filósofo, ciência e religião não são tão diferentes quanto se imagina. Relacionar a empatia e a coesão social com a fé religiosa no nível neuronal parece ser fruto do paradigma atual. Mas essa descoberta responderia também pelos resultados mensuráveis da prática religiosa em outros contextos? Em outras palavras, excluindo-se os componentes sociais (empatia, interação, envolvimento em grupos religiosos), os resultados das pesquisas seriam os mesmos? Pesquisas dirigidas em tais condições responderiam, talvez, pela origem da religiosidade no nível individual e seus efeitos.

Para saber mais:

Grafman, Jordan et al. “Cognitive and neural foundations of religious belief”, in Proceedings of the National Academy of Sciences, 24 mar. 2009 (www.pnas.org)
Sorg, Letícia. “A fé que faz bem à saúde”, in Época, 20 mar. 2009 (www.revistaepoca.globo.com).
Kuhn, Thomas. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Perspectiva, 2000.
http://www.andrewnewberg.com/
Pastor Gleisson Schmidt
Artigo do Especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise
domingo, 21 de julho de 2013

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