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foto: Internet
A propósito do 492º aniversário da Reforma Protestante: Com o desejo ardente de trazer a verdade à luz
Mensagem proferida no Culto Ecumênico da Reforma Protestante, em 31/10/2003

"Com o desejo ardente de trazer a verdade à luz". São estas as palavras iniciais do texto do "Debate para o Esclarecimento do Valor das Indulgências", conhecido como as 95 Teses. Mas acima de tudo trazer a verdade à luz é o mais profundo desejo do coração do agostiniano Martim Lutero. É ele o monge a afixar o cartaz naquela porta.
31 de outubro de 1517. Na cidade de Wittenberg, região da Saxônia alemã, aproxima-se o dia de Todos os Santos, 1º de novembro. Milhares de pessoas haveriam de, naquele dia, procurar as indulgências da igreja da época, contemplando as relíquias de Frederico, o Sábio, príncipe-eleitor da Saxônia. Outras já durante todo o mês de outubro haviam comprado cartas de indulgência, verdadeiras "cadeiras cativas do céu", nos povoados vizinhos de Wittenberg. O ensino da igreja da época era que, assim que a moeda caísse no fundo da caixa de coleta, isto é, assim que o indivíduo comprasse uma indulgência, a alma do seu ente querido saía imediatamente do purgatório e ia voando para o céu. Ou, então, se a pessoa tinha condições de comprar uma indulgência plenária para si mesma, ela teria a certeza de estar livre para sempre do purgatório. Assim, o resto da sua vida ela poderia aproveitar como bem quisesse; seu destino eterno já estava garantido pela indulgência papal.
Ciente disso, Lutero subiu para trabalhar em sua cela na torre do mosteiro agostiniano. Estava decidido a aproveitar a oportunidade para tornar públicas suas idéias, idéias que já há alguns anos fervilhavam em sua cabeça. As indulgências compradas pelos fiéis podem realmente salva-los da condenação eterna? Qual é o verdadeiro tesouro da igreja? Até onde vai a autoridade do papa em matéria de indulgências? O que é prioridade para o cristão: igrejas suntuosas ou o bem-estar dos irmãos mais pobres, dos órfãos e desvalidos?
Esses e outros temas foram abordados por Lutero no texto das 95 Teses. Porém o coração da sua teologia pode ser visto nas teses de número 92 e 93. Nelas escreve o Reformador: "Fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo "Paz, paz!", sem que haja paz! Abençoados, porém, sejam todos os profetas que dizem ao povo de Cristo "Cruz! Cruz!", sem que haja cruz".
A igreja da época de Lutero carecia de uma Reforma. Essa Reforma era urgente e imprescindível. A igreja do início do século XVI estava corrompida pela ganância e pelo desejo de manter sua influência política no Sacro Império Romano-Germânico. Mas antes e acima de tudo, meus irmãos, a igreja da época de Lutero estava corrompida pela falta de conhecimento da mensagem evangélica. Crendices, superstições e doutrinas errôneas somavam-se, misturavam-se, confundiam-se com a fé pura e simples no Salvador Jesus Cristo. Logo esta fé, que é o fundamento sobre o qual Cristo prometeu edificar a sua igreja na terra, estava deixando de ser anunciada como devia. Desde o século XII as indulgências passaram a ser vendidas como garantia de um lugar no céu para qualquer um que as pudesse comprar, independente de ser aquela pessoa um verdadeiro cristão ou não. A vida cristã de santificação já não era mais necessária. Bastava que se pudesse pagar o valor pedido e a pessoa poderia livrar não só a si mesma mas até outras pessoas, vivas ou mortas, do fogo do inferno. Depois disso, o indivíduo poderia viver como quisesse. Conta-se que algum tempo antes daquele dia de Todos os Santos de 1517 Lutero encontrou um congregado, conhecido seu, completamente bêbado, deitado na rua em Wittenberg. Como o conhecia, Lutero disse que o esperaria, no dia seguinte, para se confessar. O paroquiano respondeu a Lutero que não precisava mais confessar coisa alguma; afinal, já havia comprado sua carta de indulgência. Já estava salvo. Agora podia desfrutar livremente os prazeres da vida. Que heresia nojenta! Como se Cristo já não tivesse perguntado retoricamente aos seus discípulos: "Que dará o homem em troca de sua alma?" (Mt 16.26b).
"Com o desejo ardente de trazer a verdade à luz". A maior verdade, o maior tesouro da igreja cristã estava sendo escondido, estava sendo negado, estava sendo substituído pela venda gananciosa das odiosas indulgências! Contra isso levanta-se Lutero e afirma com toda a coragem que só o Deus da Palavra pôde lhe dar: "O verdadeiro tesouro da igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus" (Tese 62). Não são as obras dos santos o tesouro da igreja, nem o é a glória de Roma ou o poder político que a igreja exercia no império secular: o verdadeiro e legítimo tesouro da igreja é a boa nova da salvação gratuita do pecador mediante a fé no Filho de Deus, Cristo Jesus. É por isso que Lutero escreve contra os vendedores de indulgências: "Fora como todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo: 'Paz! Paz!', sem que haja paz!". A paz proporcionada pela confiança nas indulgências era uma paz mundana, uma paz passageira, uma paz incompleta e sem fundamento. Era uma paz que ainda que durasse 50, 70 ou mesmo 90 anos aqui neste mundo, não resistiria diante da proximidade da morte. Não era a paz de Cristo. A paz de Cristo é diferente: é aquela paz que somente pode ter o cristão que se sabe perdoado e amado por Deus mediante a fé no Salvador Jesus. É uma paz diferente daquela que o mundo dá; é uma paz que resiste mesmo diante do "vale da sombra da morte" (Sl 23.4); é uma paz que "excede todo o entendimento humano" (Fp 4.7). É uma paz construída sobre o fundamento firme da cruz do Salvador, onde Cristo pagou com sua vida por todos os pecados de cada um de nós - pelos meus e pelos teus também, meu irmão. Com seu sofrimento e morte Cristo satisfez em nosso lugar a exigência da justiça divina, e com sua ressurreição gloriosa garantiu a todos os que nele crêem o perdão dos pecados, a vitória sobre a morte e a vida eterna no lar celestial. Por isso Lutero escreve também: "Abençoados, porém, sejam todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: 'Cruz! Cruz', sem que haja cruz!". Abençoados todos aqueles que apontam para a cruz de Cristo como única fonte de paz para as almas abatidas pela culpa do pecado. A cruz é de Cristo, não do pecador.
Com a igreja da época de Lutero estava acontecendo o mesmo que com as igrejas da Galácia, à época de Paulo. Depois de terem ouvido o puro evangelho da graça e do perdão, aqueles cristãos estavam se deixando influenciar por uma pregação estranha. Era uma pregação racionalista, que misturava a mensagem do evangelho com invenções humanas e que colocava certas obras como critério para a salvação, lado a lado com a fé em Cristo. Por isso Paulo escreve aos gálatas: "Ó gálatas, insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?" (Gl 3.1-3). Em outro trecho Paulo escreve: "Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo" (Gl 1.6-7). Por isso Paulo precisa fazer os gálatas voltarem àquela fé pura que receberam pela pregação da boa notícia da graça de Deus, fé naquele amor perdoador que é maior do que tudo e é capaz de encobrir a multidão dos nossos pecados. Assim Paulo volta a ensinar seus irmãos daquelas igrejas e escreve: "sabendo que o homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado" (Gl 2.16). É por isso que Lutero chamou a carta aos Gálatas de "minha Catarina". Catarina era a esposa de Lutero. Lutero via em Gálatas o mais puro amor de Deus assim como via em Catarina o mais puro amor de uma esposa.
Aconteceu com os gálatas na época de Paulo, aconteceu com Lutero no século XVI. O mote presbiteriano da "Ecclesía semper Reformanda" - a "igreja sempre em reforma" - nos parece bem real.
E hoje? 31 de outubro de 2009, 492 anos depois, necessitamos nós, cristãos evangélicos brasileiros das mais diferentes denominações, necessitamos nós de uma outra Reforma? Estamos nós pregando o evangelho da salvação com toda a clareza? Estamos levantando a bandeira da mensagem da salvação unicamente pela graça de Deus como o maior tesouro das nossas igrejas? Estamos nós, de fato, pregando a fé no Salvador Jesus como o único critério para a salvação? Ou estamos misturando fé com obras, lei com evangelho, justificação com santificação, num discurso do tipo: "Não basta só crer, você tem que merecer"? Estamos nós diminuindo a grandiosidade da obra de Cristo, misturando-a com nossos próprios méritos e com aquilo que achamos que fazemos de bom para Deus? Estamos deixando o Senhor nos falar unicamente por meio da sua Palavra, a Bíblia Sagrada, através de um estudo sério, abrangente e sistemático de sua mensagem? Ou estamos sendo superficiais no nosso estudo bíblico e misturando com a Palavra de Deus aquilo que "eu acho" que ela quer dizer?
Se o exame sincero de nossa consciência nos levar a responder "não" àquelas três primeiras perguntas e "sim" a estas quatro últimas, então, meu irmão, creio que nós e nossas igrejas necessitaremos de uma "pequena" Reforma.
As palavras não são minhas, mas do pastor Ariovaldo Ramos, do SEPAL - Serviço de evangelização para a América Latina - em entrevista à revista "Comunhão" de junho de 2003. Diz ele: "Quem não tem linha doutrinária definida fica a mercê de heresias de todo o tipo, acaba por incorrer no sincretismo e mérito que se sustenta nas obras, perde a noção da graça. É preciso que se recupere a noção de que a igreja tem milênios de existência, não dá para ficar 'reinventando' a roda. É preciso recuperar o vínculo com a teologia e os propósitos da Reforma Protestante".
Sabemos que muitos foram os reformadores da igreja, desde Wycliff, John Huss, Zwinglio, Calvino, Menno Simmons, apenas para citar alguns. Mas o tripé da Reforma segundo Lutero, sobre o qual falamos nesta noite, está bem expresso nos seus 3 “Solas”: SOLA SCRIPTURA - somente através da Escritura; SOLA GRATIA - somente pela Graça; SOLA FIDE - somente mediante a fé.
Quando Lutero afirma "somente através da Escritura" ele aponta para a Bíblia, a Palavra de Deus, como única norma de fé e vida cristãs. Afirma também que foi apenas depois de ter conhecido a Palavra em profundidade que descobriu o amor imenso de Deus em sua vida. Foi graças ao esclarecimento que o Deus da Palavra lhe proporcionou através da Palavra que ele entendeu o versículo de Rm 1.17: "O justo viverá pela fé". Ele descobriu que essa justiça não era a justiça da lei nem das boas obras, mas sim, a justiça que Deus atribui àquele que crê em Cristo como Salvador da sua vida. Depois de muito estudar e meditar Lutero deixou de ver Deus como um juiz irado e exigente, e pode vê-lo como um pai amoroso e perdoador. Foi essa certeza que lhe deu coragem para pregar as 95 Teses naquela porta.
Por isso é necessário e urgente que a igreja brasileira faça as pazes com a teologia. O estudo das línguas originais, o aprendizado de uma hermenêutica sadia e a teologia sistemática não são inimigas da fé ou da vida cristã, muito pelo contrário. O conhecimento dos pais da igreja e de toda a tradição litúrgica e doutrinária que a igreja cristã possui nesses dois mil anos de história evitará que a cada novo problema tenhamos que "reinventar a roda". Podemos aprender com os erros e acertos do passado. A teologia está para a igreja assim como a língua está para a comunicação humana: ela, a teologia, nos permite falar uma mesma linguagem e crescermos juntos nesse diálogo. Por outro lado é urgente que cristão em particular estude com seriedade e profundidade as Escrituras, livre de preconceitos, misticismos ou crendices de qualquer espécie.
É urgente também que recoloquemos a graça de Deus no lugar que merece estar em nossas pregações e práticas eclesiásticas. Como diz Francis Schaeffer em seu livro "A Igreja no Século 21", não há "nota humanística" nenhuma da salvação: é pura graça de Deus. A salvação pela graça é uma salvação de graça para o homem: afinal, Cristo Jesus já pagou o preço necessário.
Por fim, é preciso recuperar o sentido do SOLA FIDE - somente mediante a fé. A fé é a chave que abre os portões da salvação para o pecador arrependido. E esta fé não vem de nós mesmos: é dom de Deus, diz Paulo aos efésios (Ef 2.8). É mediante a fé que o Senhor justifica, isto é, torna justo o pecador. Esta é a doutrina da justificação mediante a fé.
Essa fé é fé que se agarra no evangelho. Por isso, se quisermos cristãos verdadeiramente consagrados e fiéis, devemos deixar que o Espírito Santo de Deus faça a obra no coração da pessoa. A vida de santificação, a vida de boas obras é conseqüência natural naquele que se sabe salvo e amado por Deus em Cristo. É o Espírito de Deus que opera isso na pessoa. Por isso não devemos atrapalhar a ação do Espírito com a imposição de regras humanas. Devemos pregar sempre mais fé para obtermos boas obras, sempre mais justificação para obtermos santificação. Deus dá o crescimento.
"Com o desejo ardente de trazer a verdade à luz". A maior e mais preciosa verdade da igreja cristã foi trazida à luz na Reforma: o evangelho da salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Somente a descoberta desse evangelho é capaz de abrir as portas do paraíso e dar verdadeira paz ao coração do pecador. Somente ele nos faz ver Deus como um pai amoroso que perdoa até aqueles pecados que preferimos esquecer. Foi assim com Lutero. Meu desejo é que seja assim com cada brasileiro e cada brasileira que venham a conhecê-lo.
Pastor Gleisson Schmidt
Mensagem proferida no Culto Ecumênico da Reforma Protestante, em 31/10/2003
domingo, 21 de julho de 2013

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