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foto: Internet
Vinho novo, odres novos
Recensão do livro: Radical Renewal: The Problem of Wineskins Today

Radical Renewal: The Problem of Wineskins Today (Houston: Touch Publications, 1996, 223p.) é uma revisão atualizada de The Problem of Wineskins, obra lançada por Howard Snyder em 1975. Segundo testemunho do autor, muito da primeira versão foi escrito enquanto vivia no Brasil. Segundo ele, "leaving the North Amercian scene and ministering in another culture prompted a fundamental rethinking of the mission and structure of the church in today's world. It was my experience of growing up in the church, pastoring in Detroit, and ministering in Brazil that raised the questions. But was primarily Scripture that gave the answers" (p. 10).

O objetivo da obra é tentar restaurar "the biblical view of the church in the light of contemporary culture" (11) e destacar "the relativity of church structures and to suggest starting points for the necessary updating of wineskins" (16). Snyder parte da conhecida parábola de Jesus, conforme relatada por Lucas (5.37,38): "E ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois que o vinho novo romperá os odres; entornar-se-á o vinho e os odres se estragarão. Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos". Interpretando o simbolismo dos odres e do vinho, Snyder distingue aqui algo essencial e primário - o vinho novo do evangelho, de algo secundário mas também necessário e útil - os odres das tradições e estruturas que cresceram em torno do evangelho. E pergunta: "I am particularly concerned her with the relationship between such wineskins and the gospel wine. What kind of wineskins are most compatible with the gospel in our emerging global society?" (14).

Toda a obra desenvolve-se em torno dessa pergunta. Para Snyder, a última afirmação de Jesus é a chave para a resposta: "Vinho novo deve ser posto em odres novos". O velho judaísmo não podia conter o vinho novo de Cristo. A fé cristã teria que crescer e estourar os velhos odres. E isso aconteceu.

Deus é um Deus de novidade. Por um lado, Deus é o Ancião de Dias, "o Pai das luzes, no qual não há nenhuma variação ou sombra de mudança" (Tg 1.17). Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hb 13.8). Mas isso não significa que Deus é estático ou estacionário. A história do povo de Deus na Bíblia e a história da igreja cristã mostram exatamente o oposto. Em cada época o verdadeiro evangelho bíblico é uma mensagem de novidade, de renovação radical (15).

Parece ser regra que coisas criadas inicialmente para promover o evangelho eventualmente tornam-se obstáculos - velhos odres. "Then god has to smash or desert them so that the gospel wine can refresh our world once again" (16).

Mas há algo mais na parábola de Cristo: a necessidade de novos odres. Odres não são eternos ou sagrados. Conforme passa o tempo eles devem ser substituídos, não porque o evangelho mude, mas porque ele próprio demanda e produz mudança. "New wine must be put into new wineskins - not once-for-all, but repeatedly, periodically" (Id.). Além disso, se a igreja é o corpo de Cristo - o meio da ação do seu cabeça no mundo, "than the church is an essential part of the gospel, and ecclesiology is inseparable from soteriorlogy. So we must deal with radical renewal of the wineskins" (18).

Snyder propõe-se fazer um retorno a uma concepção de igreja relevante para o homem moderno mas que, antes de mais nada, siga o modelo bíblico neotestamentário. A descrição de tal modelo não acontece em nenhum lugar específico de sua obra, mas no conjunto da obra toda. Porém, acima de tudo, o modelo bíblico que Snyder propõe é um modelo não-institucional. As instituições eclesiásticas são, para ele, os próprios odres que, a princípio úteis, vieram, com o passar do tempo, tornar-se obstáculos do evangelho. "It is hard to escape the conclusion that one of the greatest roadblocks to the gospel of Jesus Christ today is the institutional church" (23), afirma.

"The church could present Jesus, not an antiquated and adulterated Christianity" (24). Por isso, um evangelho radical (do tipo bíblico) necessita de uma igreja radical (do tipo bíblico). "In short, we need a cataclysm", nos seguintes termos:

First, all church buildings are sold. The money is given (literally) to the poor. All congregations of more than two hundred members are divided in two. Store fronts, small halls, or community centers are rented as needed. Sunday school promotion and most publicity are dropped. Believers gather often in private homes; midweek prayer services become superfluous.

Pastors get secular jobs and cease to be paid by the church; they become, in effect, trained 'laymen' instead of paid professional. 'Lay' men and women take the lead in all affairs of the church. There is no attempt to attract unbelievers to church services; these are primarily for believers, and perhaps are held at some time other than Sunday morning.

Evangelism takes on new dimensions. The church begins to take seriously its charge to preach the gospel to the poor and be an agent of the kingdom of God. It ceases to take economic potential into consideration in planting new churches. It begins to lose its enchantment with suburban materialism.

Et cetera. (25)


Um cataclisma excitante, verdadeiramente renovador. Porém, "an impossible cataclysm", reconhece o próprio Snyder. Ou será possível ainda ouvir a voz de Deus dizendo: "Eis que faço uma coisa nova, que está saindo à luz; porventura não percebeis?" (Is 65.17).

Na segunda parte da obra, o autor descreve quatro estruturas típicas de igreja: a igreja-corpo, mais próxima do modelo neotestamentário; a igreja-catedral, que é identificada como sendo a própria "igreja". O edifício determina todo o programa e estilo de vida da igreja; a igreja-tabernáculo, igreja que possui um edifício, mas que é estritamente secundário e funcional - é simplesmente "a tool for extending Christ's kingdom"; e a igreja-fantasma, que orgulha-se de não ter qualquer edificação, mas que também não tornou-se um corpo de responsabilidade mútua e interrelações pessoais. E sumariza: "While the Body Church most clearly duplicates the New Testament experience, the Tabernacle Church may be a legitimate incarnation of the community of God's people in some contexts. The Cathedral and Phantom models have forgotten of failed to discern what 'church' really means" (73).

No capítulo 12, como conclusão de toda a exposição anterior, o autor afirma o pequeno grupo como estrutura básica do modelo bíblico de igreja. "A small group of eight to twelve people meeting informally in homes is the most effective structure for the communication of the gospel in today's high-tech society" (149). Tais grupos são mais adequados à missão da igreja num mundo urbanizado do que os cultos públicos tradicionais, os programas institucionais da igreja ou mesmo a comunicação de massa. "Methodologically speaking, the small group offers the best hope for the discovery and use of spiritual gifts and for renewal in church and society" (id.).

Radical Renewal não é apenas uma representante da moderna bibliografia referente ao modelo de igreja em células. Sua leitura é inquietante e instigadora.

Alguém poderá fixar sua atenção em algumas questões tratadas pelo autor com tamanha liberdade que chocam nosso bem treinado raciocínio teológico. Por exemplo, a associação que tece entre as doutrinas da soteriologia e da eclesiologia, logo no capítulo 1. Snyder afirma que, se de fato a igreja é o corpo de Cristo, então as duas não podem ser separadas. Daí que a igreja precisa permanentemente renovar-se para poder conter o vinho novo do evangelho de Cristo.

Ou, então, a convicção que Snyder tem com respeito ao modelo bíblico de igreja pode levar-nos a dar um passo atrás, perguntando: "Será que as coisas eram mesmo assim?". Nesse sentido, será que a institucionalização da igreja é algo tão "demoníaco" assim?

Ainda, a definição do desapego à estrutura institucional da igreja como atestado de saúde espiritual, e o seu contrário, de doença - será verídica? Em outras palavras, a "body Church" é, de fato, espiritualmente completa (72)?

À parte dessas questões, identificamos com muita facilidade no denominacionalismo atual diversas características apontadas pelo autor: apego excessivo ao patrimônio adquirido pela denominação, vendo-se nele uma condição sine qua non para a existência e expansão da igreja (que, segundo se crê, acontece nas "programações institucionais" de Snyder), ou mesmo a identificação da estrutura física do templo como "a igreja", desviando assim a atenção da comunidade dos fiéis; projetos evangelísticos voltados antes para a comunicação de massa (por rádio, TV, internet ou eventos públicos) que para o testemunho pessoal; a ascensão de "super-pastores" que sufocam e depreciam os talentos individuais dos "leigos"; e, sob todos os aspectos, o desenvolvimento galopante de um cristianismo de consumo, voltado antes para os produtos espirituais que para a nova vida de santificação.

Diante disso, Radical Renewal reafirma-se como uma obra instigante e desafiadora. Desafia-nos a pensar o quanto nossas atuais estruturas eclesiásticas estão impedindo o evangelho de Cristo e deturpando a verdadeira koinonia, e o que se pode fazer diante disso. Lembra-nos que evangelização acontece nas bases da comunidade cristã, no testemunho de vida de seus membros, e não através de programações de massa. Destaca ostensivamente o sacerdócio universal de todos os cristãos e o correto uso dos talentos que Deus dá a cada um. Como o próprio autor afirma, o leitor descobrirá logo que não se tentou fornecer um programa completo para a estrutura da igreja. Antes, Snyder tentou falar sobre princípios-chave que devem modelar qualquer estrutura válida e bíblica em nossos dias. "The book is suggestive, not definitive. I have opened more doors than I have chosen (or been able) to enter" (19), confessa.

Snyder é um apaixonado pela igreja. Cada página de Radical Renewal deixa transparecer o mais profundo amor do amante pelo objeto amado. Aqueles que também forem tão apaixonados pela igreja como o autor - apaixonados a ponto de, por ela, reavaliar seus conceitos e práticas, estão convidados a lê-lo.
Pastor Gleisson Schmidt
Recensão da obra
domingo, 21 de julho de 2013

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